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Terreiro de Umbanda Ogum das Águas

- Informações Principais

Nome: Terreiro de Umbanda Ogum das Águas
Razão social: Associação Espiritualista Filhos dos Orixás (ASSEFO)
Endereço: Rua Aristóteles, 684, Jardim Campo Alto – Colombo/PR.
Fone:(41) 9207-3677.
Sites: www.ogumdasaguas.org.br ; www.ogumdasaguas.com.br

Atendimento: Terças-Feiras, das 20h às 24h, e aos sábados, das 19h às 24h.
Número de médiuns: 47

Orixá mandante: Ogum.
Entidade mandante: Ogum Sete Ondas
Dirigente: Pai Paulo de Ogum.

Entidades do Pai de santo: Ogum Sete Ondas, Ogum Beira Mar, Caboclo Tupinambá, Caboclo Flecheiro, Caboclo Raio e S. Sete Cachoeiras. Pai João de Angola, Pai José, Tia Maria, Zé Pelintra, Baiano Zé do Côco e Erê Joãozinho. Cigano Pablo e Dr. Saady. Exu João Caveira, S. Tranca Ruas das Sete Encruzilhadas e S. Sete Catacumbas.

Hierarquia: uma mãe pequena, três capitães e quatro ogans.


- História do Terreiro de Umbanda Ogum das Águas

Aos doze anos de idade, Paulo conheceu o terreiro em que sua mãe trabalhava, na Barreirinha, a Tenda de Umbanda Nosso Senhor do Bonfim. Lá ficou encantado com o som dos atabaques e os pontos cantados. Com permissão do comando da casa, começou a aprender os toques e pontos, sendo cruzado ogan um ano e meio depois.

Após doze anos de afastamento, Paulo voltou a freqüentar a Umbanda juntamente com sua família (esposa e filhos). E passou por vários terreiros, entre eles o Centro de Amor, Humildade e Caridade Pai Joaquim e a Choupana dos Orixás.

Nessa caminhada, acabou conhecendo o Terreiro do Pai Maneco, onde chegou com o objetivo de se consultar com o S. Akuan, chefe da casa. Desejava pedir ajuda na busca por um terreiro para trabalhar - já que ele e S. Sete Ondas não se identificavam com nenhuma casa que conheciam ou em que já tinha trabalhado. Não conseguindo consulta com o S. Akuan, acabou sendo atendido pelo S. Sete Ponteiras do Mar, que lhe disse: “Filho, na lei espiritual você não precisa de nada, mas na lei material você precisa e eu vou te dar”. O caboclo de Ogum pediu-lhe também que no próximo trabalho viesse de branco e trouxesse suas coisas, pois ele o faria um pai de santo.

Tendo Pai Maneco e Vó Nastácia como padrinhos espirituais, Paulo foi cruzado pai de santo e começou sua busca por um local para montar o terreiro.

Inicialmente, Pai Paulo pensou em ocupar a garagem de sua casa, mas S. Sete Ondas não permitiu, avisando que não se preocupassem, pois o lugar ia aparecer. E apareceu: o local que sedia hoje o terreiro fica na mesma rua em que mora Pai Paulo, em Colombo.

Assim, em 23 de abril de 2007, começaram os trabalhos do Terreiro de Umbanda Ogum das Águas, às terças-feiras e aos sábados, como é até hoje.

     
 
 


- Visita ao Terreiro

No dia da visita ao Terreiro de Umbanda Ogum das Águas, o pai de santo começou os trabalhos lendo um texto de doutrina.

Para abertura da gira, é cantado o Hino de Umbanda, faz-se a saudação aos 7 Orixás de Umbanda e a defumação. Seguida pelo bate-cabeça e a saudação ao anjo da guarda, enquanto o pai de santo faz a oração para a abertura do trabalho.

Depois, é cantado ponto de abertura da gira e saúda-se a engoma, cujo chefe é o Caboclo Purunã. Dando continuidade à abertura faz-se a saudação às crianças, entidades chefes da casa, à pemba, à toalha e ao congá, assim como à tronqueira - que fica dentro da casa, por questões de segurança material.

A primeira entidade a vir no terreiro é S. Ogum Sete Ondas, que cumprimenta a todos da hierarquia e corrente antes de riscar seu ponto. Então, saúdam-se as entidades de Pai Fernando de Ogum, S. Akuan, e de Mãe Lucília de Iemanjá, S. Sete Ponteiras do Mar.

O trabalho tem sua continuidade com a descida dos oguns, primeiramente S. Ogum Iara, que trabalha com a mãe pequena da casa e que faz uma limpeza na corrente com água. Na seqüência, é realizado o descarrego seguido pela subida de S. Sete Ondas e dos demais caboclos de Ogum para chamar a linha de Oxóssi.



 
 
 
 



- Batida de ervas

A linha de Oxóssi desce para fazer a chamada "batida de ervas”, que acontece na última terça-feira de todo mês. O chefe da linha de Oxossi no terreiro, S. Tupinambá, desce e risca seu ponto, chamando a descida dos falangeiros. É feita a saudação a S. Junco Verde e S. Folha Verde, entidades de Pai Fernando e Mãe Lucília.

A batida de ervas é feita da seguinte forma: um arco de folhas é colocado no chão, no meio do terreiro. Primeiramente, todos os filhos da corrente ficam sobre as folhas, sem sapatos. Enquanto é tocado pontos das sete linhas de Umbanda, S. Tupinambá e os demais caboclos vão fazendo a limpeza dos médiuns com ervas e folhas. Depois, a corrente volta aos seus lugares e é a vez da assistência, junto com médiuns que deram sustentação ao descarrego anteriormente, receberem o passe com folhas. Os médiuns incorporados com os caboclos também recebem o descarrego, terminando com S. Tupinambá, que utiliza pólvora e fogo para finalizar o descarrego.

Após o intervalo, é chamada a linha dos baianos, comandada por S. Zé Pelintra. As entidades descem no terreiro para começar as consultas. Às terças-feiras, dia de desenvolvimento dos médiuns da casa, um dos baianos - orientado pelo comando do terreiro - volta-se ao trabalho com os filhos do terreiro. Nessa segunda parte da gira, que começa geralmente às 22h, os atabaques cessam, para não incomodar a vizinhança. O trabalho continua com atendimento à assistência.

 
 
 
 

- Conceitos da casa

A casa segue a mesma filosofia do Terreiro do Pai Maneco. Nela, são cultuados 7 Orixás de Umbanda, e as linhas de trabalho vão desde pretos velhos até a quimbanda, com exu e pomba gira. Um diferencial do Terreiro de Umbanda Ogum das Águas é que existe, no sábado, das 18h às 19h15, sempre antes das giras de esquerda, um trabalho de mesa branca - que tem como objetivo encaminhamentos, orações e pedidos - e a gira de baianos.

A casa não cobra nenhum valor pelos trabalhos realizados, também não trabalha com sangue e não pratica camarinha para cruzamentos.


Corrente

S. Sete Ondas é quem dá autorização para a entrada de novos filhos na corrente. Por isso, quem tem o interesse deve, primeiramente, procurar a entidade mandante da casa para conversar. Pai Paulo também pede que os interessados permaneçam na assistência por pelo menos um mês, assistindo uma gira de cada linha.

Depois de aceito na corrente, o novo filho passa pelo ritual do jogo de obi, para saber seu Orixá, e pelo amaci.

24 horas antes da gira, os médiuns não devem comer carne vermelha, ingerir bebidas alcoólicas, nem manter relações sexuais. Já no dia de trabalho, devem tomar banho de descarrego, de preferência com ervas do seu Orixá ou as ervas de descarrego (alecrim, arruda, guiné), acender uma vela para o anjo da guarda e evitar falar palavrões.


Guias e vestimenta

Todos os médiuns usam guias confeccionadas pelo pai de santo. Quando entra na casa, o médium recebe primeiramente uma guia de Oxalá. No dia de seu amaci, vêm as guias da linha de Preto Velho e do Orixá. A partir daí o filho começa a usar a guia e a faixa identificando seu Orixá.

Para a linha da esquerda, todos também têm uma guia de proteção que é usada separadamente. Essa guia não sai do Terreiro, a não ser para trabalhos externos. Elas ficam guardadas no terreiro, para imantação, cada uma em seu devido lugar.

Com o tempo e mediante autorização, as entidades podem pedir para usar suas guias específicas.

A roupa é branca e o uso de maquiagem, brincos, roupas transparentes ou decotadas são proibidas.


Atendimento

Para o médium ir para o toco é necessária a autorização de S. Sete Ondas, que avalia o estágio de evolução do cavalo e de afinidade com a entidade.

Na casa, atualmente doze médiuns dão consulta gratuitamente. E são eles mesmos os responsáveis por levar materiais para o trabalho.

Os cambones não só ajudam e servem as entidades, mas também orientam e prestam informações ao consulente quando necessário.


Procedimentos

O terreiro incentiva a entrega de amalás (oferendas) dentro da casa, tanto para os médiuns quanto para a assistência, por questões de segurança e facilidade.

Para a manutenção do terreiro, os médiuns contribuem com uma mensalidade. O terreiro também aceita doações.

A casa possui atabaques e cria pontos sempre que necessário. Para saudação à curimba (engoma) é cantado o ponto do Caboclo Purunã.

Os assentamentos que existem dentro da casa fazem a segurança do terreiro, dão a sustentação do trabalho, a energia e a proteção espiritual que uma médium precisa. O pai de santo cuida pessoalmente da energia do terreiro, do roncó e das velas que alimentam os alguidares do amaci de cada filho - onde somente ele coloca as mãos.


Ficha técnica
Textos e fotos: Bruno Maestri, Izabella Bellenda e Kika Lara.
Edição e revisão: Caroline Lipca.